Pesquisas ampliam controle de daninhas na cana
Existe uma espécie de planta invasora pouco comentada
Existe uma espécie de planta invasora pouco comentada - Foto: Canva
A ocorrência da cigarrinha-da-raiz segue como um dos principais desafios fitossanitários dos canaviais, com impactos diretos na produtividade e na eficiência do manejo. Segundo o Núcleo de Estudo em cana-de-açúcar da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, pesquisas recentes ampliaram o entendimento sobre as espécies associadas a essa praga no Brasil.
Historicamente, os danos à cultura sempre foram atribuídos às espécies Mahanarva fimbriolata e Mahanarva spectabilis, consideradas responsáveis pelos prejuízos observados no campo. No entanto, os estudos identificaram a presença de uma terceira espécie, Mahanarva diakantha, que apresenta grande semelhança visual com as demais, mas diferenças biológicas relevantes. Essa constatação ajuda a explicar resultados inconsistentes em programas de controle químico, frequentemente relatados por produtores e técnicos.
A identificação incorreta da espécie pode levar à adoção de estratégias de manejo pouco eficientes, reduzindo a resposta aos inseticidas e aumentando o risco de perdas nos canaviais. A confirmação da M. diakantha foi possível a partir de análises morfológicas detalhadas, morfometria das asas e do uso de ferramentas moleculares, com base no gene COI. Esses métodos permitiram diferenciar com precisão as espécies envolvidas, mesmo diante da semelhança externa.
Os resultados reforçam que o conhecimento correto da biologia e da identificação das cigarrinhas-da-raiz é um fator determinante para o sucesso do manejo. A adoção de estratégias mais específicas, alinhadas à espécie presente na área, tende a tornar o controle mais eficiente, sustentável e com menor risco econômico para os sistemas de produção de cana-de-açúcar.